DOENÇAS DA VESÍCULA BILIAR

O QUE É VESÍCULA BILIAR?
foto1A vesícula biliar é uma pequena bolsa localizada abaixo do fígado, cuja a principal função é armazenar a bile. A bile é um líquido produzida pelo fígado que auxilia a digestão e absorção de substâncias gordurosas.

foto2COMO SURGEM AS PEDRAS?
Os cálculos biliares surgem quando ocorre um desequilíbrio de água e substâncias presentes na bile (colesterol ou pigmentos biliares em quantidades exageradas, torna a bile saturada, que precipita, formando o cálculo).
O número, tamanho, forma e cor das pedras são variáveis.
A lama biliar é um estágio logo antes da solidificação da bile. É uma bile espessa e gelatinosa.

QUEM PODE TER COLELITÍASE?
A prevalência da colelitíase é variável em diversos países, principalmente porque cerca de 60 a 80% dos pacientes portadores de colelitíase são assintomáticos e, portanto, não diagnosticados.
Qualquer pessoa pode ter pedras na vesícula, mas algumas têm maior possibilidades, como:
– Idade: pode acontecer em qualquer idade, mas é 4x maior a partir dos 40 anos de idade.
– Mulher: 3x mais comum em mulheres.
– Gravidez e Terapia de Reposição Hormonal: O excesso de estrogênio aumenta a saturação da bile.
– Obesidade: quanto mais gordo, maior a possibilidade de ter a pedra. Entretanto, os magros também podem ter.
– Hereditariedade: As pessoas que têm familiares com cálculos possuem mais chance de ter essa doença que os que não tem.
– Rápida perda de peso: grandes perdas de peso em pouco tempo (por exemplo: após cirurgia bariátrica) ou em dietas com muito baixa caloria.
– Algumas doenças: diabetes, cirrose, doença de Crohn, anemia falciforme, úlcera péptica.
– Pacientes submetidos a cirurgias gástricas para tratamento de câncer, ulceras, vagotomias ou obesidade.

SINTOMAS
A maioria dos pacientes nunca teve sintomas. Entretanto, quando apresentar sintomas, a possibilidade de repetir o mesmo sintoma ou evoluir para complicação é muito grande.
O número ou o tamanho das pedras não interfere na possibilidade de sintomas e\ou complicações. Às vezes, uma única pedra pequena pode ocasionar complicações graves como a Pancreatite Aguda.

foto3Os sintomas mais comuns são:
– Dor abdominal intensa – no lado direito ou na boca do estômago, tipo cólica abdominal, pode durar de 30 minutos a 2 horas, geralmente após alimentação gordurosa.
– Náusea (enjoo) ou vômitos.
Quando a dor for mais prolongada, associada ou não a febre, icterícia (amarelão), pode indicar alguma complicação, sendo necessário avaliação médica.

COMPLICAÇÕES CAUSADAS PELA COLELITÍASE:
Colecistite:
Normalmente ocorre após uma obstrução da vesícula pela pedra, levando à infecção da bile estagnada dentro da vesícula, por bactérias intestinais.
A dor abdominal é constante, podendo estar associada a vômitos e febre.

Coledocolitíase:
Alguns cálculos são pequenos o suficiente para saírem da vesícula, mas são maiores que o diâmetro das vias biliares, ficando impactados nas mesmas, causando obstrução à passagem da bile.
A dor abdominal é intensa, mais na boca do estômago, associada a icterícia.
Nesses casos, a bile obstruída pode ser contaminada por algumas bactérias vinda do intestino, causando um quadro infeccioso grave – Colangite.

Pancreatite Aguda Biliar:
Alguns cálculos pequenos podem sair da vesícula, impactando no final do Colédoco, próximo à saída do ducto pancreático. Nesses casos, a pedra impede a secreção de enzimas pancreáticas, levando a um quadro de pancreatite.
foto4

DIAGNÓSTICO DE COLELITÍASE E SUAS COMPLICAÇÕES
O diagnóstico de colelitíase é feito através da história clínica e exame físico, associados ao US abdome.
Na hipótese de alguma complicação, é necessário associar exames laboratoriais e em alguns casos, torna-se necessário ColangioRessonância ou US Endoscópico.

TRATAMENTO
foto6O tratamento da Colelitíase é cirúrgico: Colecistectomia.
Outros tratamentos, como a Litotripsia (“quebra das pedras”) ou medicamentos para dissolver a pedra, não dão bons resultados, é prolongado, atrasam o tratamento cirúrgico, tem risco de evoluir para alguma complicação da doença e cerca de 50% dos pacientes tratados com esses métodos, voltam a apresentar pedras em menos de 5 anos.
Alguns pacientes assintomáticos não necessitam de cirurgia. A decisão de operar ou não, depende de alguns fatores, como: idade, tamanho das pedras, dentre outros. O seu médico poderá ajudá-lo a decidir se a cirurgia é a melhor opção para você.

Vantagens da cirurgia:
– Recuperação rápida: a maioria fica internada somente um dia e podem retornar a realizar suas atividades, inclusive esportivas, em 1 a 2 semanas.
– Resolução completa e definitiva da doença.
– Pouca dor em pós operatório.
– Cicatriz cirúrgica mínima (laparoscópica).
– Risco pequeno de complicações.
Atualmente, o tratamento cirúrgico é muito simples, desde que não haja complicações. A cirurgia é feita por via laparoscópica (“operação dos furinhos”), chamada: Colecistectomia Videolaparoscópica – CVL.
Em algumas situações (como cirurgias abdominais abertas prévias), a técnica videolaparoscópica não é a melhora opção. Há também alguns casos em que se tem dificuldades técnicas para a realização da cirurgia, sendo necessário, nesses 2 casos, a cirurgia aberta (corte maior no abdome): Colecistectomia aberta.
foto5Nos casos de complicações da colelitíase (colecistite, coledocolitíase, colangite ou pancreatite), a cirurgia é geralmente mais difícil e deverá ser realizada em caráter de urgência.

Complicações:
Apesar dos resultados da cirurgia serem excelentes, alguns pacientes podem ter complicações, como em qualquer procedimento cirúrgico.
As complicações mais comuns são: lesão de vísceras ou de vias biliares, infecção, sangramento e risco anestésico.
O risco de complicações é maior em pacientes que apresentam doença grave ou nas complicações da colelitíase.
Você deverá discutir esses riscos com mais detalhes com seu médico e com o Anestesista.

PÓLIPO VESICULAR
É uma lesão na parede da vesícula, podendo ou não estar relacionado com pedra na vesícula.
Na maioria dos casos, o diagnóstico é um achado em um US abdome de rotina.
A maioria dos pacientes são assintomáticos, podendo apresentar dispepsia, dor abdominal ou náusea.
Os pólipos da vesícula podem ser benignos ou malignos. A maioria dos pólipos são benignos e 90% desses são de colesterol e não têm qualquer potencial maligno. Porém, alguns pólipos benignos (adenomas) podem ter um comportamento pré-maligno.
O tratamento do pólipo é a Colecistectomia.
Discuta com seu cirurgião se será indicado a cirurgia para você (tamanho, quantidade e morfologia do pólipo, crescimento rápido, localização, idade, dentre outras indicações).

QUAL O PREPARO PARA A CVL?
Você será avaliada pelo seu médico (Cirurgião Geral) e pelo Anestesista (consulta pré-anestésica).
Se você usar alguma medicação diariamente ou se fizer controle de alguma doença, comunique a seu médico e ao anestesista.

NO DIA DA CIRURGIA
A restrição da dieta (jejum) será orientada pelo seu médico.
Chegue ao hospital no dia e horário marcados, portando os documentos e exames necessários.
A operação dura cerca de 30 minutos a 1 hora.
Após o término da cirurgia, você será encaminhado para a sala de recuperação pós anestésica, sendo reavaliado constantemente pela enfermagem e anestesista, podendo ficar na sala por 1 a 2 horas e, assim que condições clinicas, encaminhado para o quarto.

ALTA HOSPITALAR
De acordo com a sua evolução e recuperação, você poderá receber alta hospitalar no mesmo dia da cirurgia, na manhã seguinte ou quando em condições clinicas.

ORIENTAÇÕES PÓS OPERATÓRIAS
A recuperação é geralmente muito rápida e a maioria dos pacientes voltam as suas atividades em poucos dias.
Hematomas (roxo) ou pequenos sangramentos nas cicatrizes é muito comum e de resolução espontânea.
Se apresentar dor abdominal importante, dor intensa no ombro, febre ou vômitos, entre em contato com seu médico e/ou procure o Pronto Socorro.
Busque, no laboratório, o resultado do exame anatomopatológico (toda vesícula retirada vai para exame) e entregue para o seu médico avaliar o resultado.
Em caso de dúvidas, procure seu médico.