OSTEOARTRITE

 

A osteoartrite, doença que era denominada osteoartrose, é muito frequente na população acima dos 60 anos. O comprometimento das articulações altera o bom funcionamento das mesmas, ocasionando muitas vezes limitação da mobilidade, o que traz grande impacto para o indivíduo em si e para o conjunto da família. Isso inclui consequências econômicas: incapacidade para as atividades domésticas ou para o trabalho remunerado, gastos com tratamentos, necessidade de contratação de cuidadores, etc.

Há estimativas de que no Brasil existem mais de 12 milhões de pessoas com osteoartrite (que iremos abreviar para OA), o que é mais do que 6% da população adulta do país. Na população com idade por volta dos 65 anos cerca de 85% pode ter sinais de osteoartrite (OA) em exames de radiografias nas articulações. Acima dos 55 anos de idade as mulheres são mais afetadas do que os homens, com doença mais graves e por razões variadas, em parte talvez por predisposição genética.

Entre os fatores que predispõem à OA estão a herança genética (familiar), lesões traumáticas ou por movimentos repetitivos das articulações, ocupações específicas (tais como atividades esportivas, dança), obesidade e outras. Apesar da forte associação da OA com a idade, ela não pode ser considerada uma consequência natural do envelhecimento. Contudo, as alterações das cartilagens no envelhecimento realmente deixam as articulações mais propensas à OA, principalmente se outros fatores tais como a obesidade estiverem presentes. Aquelas articulações que já sofreram traumas, como fraturas ou lesões de ligamentos, também são mais sujeitas à OA. Cada vez mais a obesidade vem se destacando entre os fatores que predispõem à OA. É bem conhecida a correlação com o acometimento dos joelhos e quadris, em decorrência da sobrecarga sobre essas articulações. Têm surgido suspeitas de que substâncias presentes na circulação sanguínea das pessoas obesas, chamadas de adipocinas (nome que as relaciona aos adipócitos, as células do tecido gorduroso) também possam estar relacionadas ao desenvolvimento da doença.

 

Mecanismo da doença

Cada articulação contém cartilagem, protegendo os ossos do contato direto entre si. A cartilagem é comporta em cerca de 70% por água, em uma estrutura também constituída por células, os condrócitos. Essas células produzem proteínas, como o colágeno do tipo II e a elastina, que dão a cartilagem sua propriedade de elasticidade e absorção de impactos. Isso permite o deslizamento suave das extremidades ósseas nas articulações.

Na OA ocorre um desequilíbrio, com destruição aumentada da cartilagem e diminuição da regeneração da mesma. A cartilagem comprometida perde sua capacidade de resistir às tensões, transferindo uma carga aumentada ao osso, o que ocasiona micro fraturas.

 

Como a doença se apresenta

A OA tem evolução lenta, ao longo de anos. Acomete as articulações “de carga” (quadris, joelhos e tornozelos), a coluna e as mãos. É incomum o acometimento dos punhos, cotovelos e ombros, a não ser que tenha ocorrido alguma lesão traumática dessas articulações. Ocorre dor associada aos movimentos nas articulações acometidas. Com a evolução da doença, a dor pode persistir durante o repouso.

Nos primeiros tempos, a dor é o sintoma isolado, sem inchaço, vermelhidão ou aumento da temperatura na junta acometida. Com o passar do tempo, contudo, pode ocorrer alargamento ósseo ou diminuição do movimento da articulação. Pode ocorrer a sensação de rigidez no período da manhã ou após um longo período de repouso, o que persiste por não mais do que meia hora. Crepitações e estalidos nas articulações podem também ocorrer, piorando com a perda progressiva de cartilagem.

Osteoartrite de coxofemoral (quadril) – É muito incapacitante. A dor local pode se irradiar para a região dos glúteos, virilha e pela coxa, seja pela face externa ou interna da mesma. A evolução da doença compromete a marcha e, nos casos mais avançados, leva à atrofia dos músculos da coxa.

Osteoartrite de joelhos – Os joelhos são as articulações mais acometidas pela OA, com incidência aumentada entre as mulheres. Aquelas pessoas que possuem desvio dos joelhos desde a infância quase sempre terão a doença. A dor se instala de forma lenta e progressiva, por vezes com aumento do volume e da temperatura da junta, mas sem vermelhidão. Há relato de piora ao subir escadas ou se levantar de uma cadeira, por exemplo.

Osteartrite de mãos – Existe uma grande tendência para a predisposição familiar neste tipo de OA, principalmente entre as mulheres. Acomete mais frequentemente as juntas distais (das extremidades dos dedos), de modo assimétrico. Predomina nos dedos mínimo e indicador, seguidos pelo médio e anular. Ocorre dor e dificuldade aos movimentos. A rigidez matinal de até 30 minutos pode estar presente. A progressão da doença leva ao alargamento das articulações dos dedos e ao surgimento de nódulos nas mesmas, podendo criar uma situação de incapacitação.

Osteoastrite da coluna cervical e lombar – Esses dois segmentos da coluna vertebral são os mais acometidos pela OA. Pode ocorrer dor irradiada para os braços ou pernas.

A coluna cervical é acometida em praticamente todas as pessoas a partir dos 50 anos, tornando-se os sintomas mais frequentes após os 55-60 anos. As crises são de dor intensa em um dos lados do pescoço, com limitação dos movimentos: um torcicolo agudo que melhora lentamente após 2-3 dias. Quando ocorre a chamada “hérnia de disco” comprimindo a raiz nervosa, a dor persiste por semanas.

O acometimento da coluna lombar pela OA pode levar a um estreitamento do canal medular, o que acarreta a claudicação do membro inferior: a pessoa passa a mancar.

 

Exames diagnósticos

Os exames de imagem (radiografias, tomografias ou ressonâncias) demonstram alterações nas articulações que, juntamente com o quadro clínico (os sintomas queixados), levam ao diagnóstico da OA. Ainda estão em estudo a dosagem de determinadas substâncias no sangue que poderá ajudar no diagnóstico e acompanhamento da doença.

 

Tratamento

É importante que as pessoas acometidas pela OA entendam a natureza da doença, para se envolverem no tratamento.

 

Tratamento não farmacológico (sem medicamentos) – Envolve atividade física moderada, orientada por profissionais habilitados (como os fisioterapeutas), além de cuidados com a ergonomia (movimentos corretos) no trabalho e nas atividades domésticas. Em determinadas condições, as órteses (dispositivos externos de suporte) e equipamentos de auxílio à marcha (tais como as bengalas), podem ser de grande utilidade.

No caso dos indivíduos obesos, o emagrecimento terá um papel fundamental no alívio das articulações de cargas acometidas pela OA, podendo inclusive evitar o progresso da doença para uma condição de incapacitação.

Tratamento farmacológico (com medicamentos) – Analgésicos tais como a dipirona e o paracetamol são a primeira escolha nos casos de OA na forma leve a moderada nas fases iniciais. Nos casos em que ocorre inflamação da junta (manifestada por inchaço e diminuição dos movimentos, principalmente) o médico pode prescrever medicamentos anti-inflamatórios, tomando os devidos cuidados com os efeitos indesejáveis dessa classe de medicamentos. Nos casos de dores mais intensas ou quando há intolerância aos anti-inflamatórios, podem ser receitados os medicamentos opiáceos, como a codeína e o tramadol (medicamentos fornecidos estritamente com receituário médico).

O uso prolongado de medicamentos como a glucosamina e a condroitina pode ter efeito de melhora dos sintomas e, talvez, de retardo da evolução da doença (esse último efeito ainda precisa de maiores estudos para confirmação).

No caso de OA de joelhos pode ser usada a injeção de ácido hialurônico dentro da articulação, o que tem um custo elevado. A infiltração de corticoide na articulação também pode estar indicada quando os sinais de informação forem muito importantes.

Tratamento cirúrgico – É a opção final para o tratamento da OA. Existem várias técnicas cirúrgicas, com diferentes indicações. Uma delas é a artroplastia, que consiste na substituição da articulação afetada por uma prótese. Esta técnica traz uma grande melhora da dor e da função, devendo ser usada sempre que outros tratamentos falharem.

 

Dr. Adriano Carvalho

CRM 22.243

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